Então, decide descer ao mundo das sombras e roga aos guardiões, às gigantescas e horríveis
criaturas, metade escorpião metade homem, que abram as portas da montanha e lhe deixem
passar. O valente Gilgamesh caminha sem descanso pelo interior dos infernos na mais
completa obscuridade até chegar à morada dos deuses, ao jardim de luz. Aqui também não
encontra a resposta ao enigma da morte, mas os deuses lhe anunciam que resolverá o mistério
se cruzar até a outra margem do extenso oceano.
O barqueiro dos deuses conduz Gilgamesh pelos mares e oceanos do mundo até chegar às
pestilentas águas da morte e após atravessá-las, o herói chega num lugar onde se encontra o
único homem sobrevivente do dilúvio8, quem lhe instrui a respeito da vida e da morte: “Não
deveis temer a morte, pois, como o sonho, está dentro de nós e a todos alcança; mas, podeis
conseguir a imortalidade ou a eterna juventude, se arrancares a planta espinhosa e florida,
semelhante a um roseiral, que cresce entre o lodo das águas profundas que banham o mundo
das sombras”.9
Assim fez Gilgamesh e de regresso à Uruk,
levando consigo a preciosa planta florida
da eterna juventude, parou no caminho
para beber água num manancial e refrescar
todo seu corpo. Mas, de pronto, uma
serpente cheirou o perfume que exalava da
planta e a tragou; depois se arrastou até as
cavidades das rochas e se enfiou num
fundo e obscuro buraco que desembocava
no reino das trevas. Quando Gilgamesh
saiu das águas e viu as sinuosas pegadas do
réptil na areia compreendeu, no instante,
que a serpente maligna tinha lhe roubado a
planta florida da eterna juventude...10
... E Gilgamesh chorou ...11
7- Índice das Imagens
01 – Gilgamesh em seu carro de batalha
02 – Humbaba
03 – Gilgamesh, Enkidu e o Touro Celeste
04 – Gilgamesh e um leão.
8 Na Mitologia Mesopotâmica esse homem imortal era Umnapisti ou Utnapishtim, que significa ‘Dia de Vida’. Era um
rei e sacerdote, protegido pelo deus Ea, o deus das águas doces.
9 No mito, Gilgamesh vai atrás da imortalidade e não da juventude eterna, provavelmente foi mais uma transliteração do
autor, usando ambas como sinônimos.
10 Na lenda, esta é a razão das cobras e serpentes mudarem de pele.
11 Em outras versões, o poema acaba com o reencontro, no Mundo Inferior, de Gilgamesh e Enkidu, uma vez que o
herói obtém
Fonte:Reinaldo Cordova-Professor 6 ano de Historia arq. em Pdf